Comparison between ratings of perceived exertion planned by coach with percepted by young swimming athletes
Raphael Matsumoto Baradel Carneiro Dos Santos1,2, Jeferson Roberto Rojo1.
1Universidade Estadual de Maringá, Brasil.
2Associação de Pais e Atletas da Natação de Maringá (APAN-Maringá).
Resumen
Objetivo: Objetivo comparar la percepción subjetiva del esfuerzo planificado por el entrenador con la percibida por los atletas en la categoría juvenil de un equipo de natación en la ciudad de Maringá-Paraná.
Métodos: SLa muestra del estudio consistió en 14 atletas de natación de ambos sexos. Tuvieron al menos un año de experiencia y logrando un índice de participación en campeonatos nacionales. El PSE se evaluó utilizando la escala Borg de 0 a 10 puntos. El entrenador presentó el puntaje del PSE antes del entrenamiento y los atletas informaron el PSE 30 minutos después del final de la sesión de entrenamiento.
Resultado: La edad media fue de 15,6 ± 0,64 años, la masa corporal de 64,74 ± 9,50 kg y la altura de 173,5 ± 8,05 cm. Los atletas jóvenes percibieron diferentes valores del entrenador, y después del análisis estadístico hubo una diferencia significativa en 14 sesiones. También se descubrió que, a intensidades moderadas y altas, el entrenador tenía valores más altos que los informados por los atletas.
Conclusión: Los resultados del presente estudio indican que hubo una divergencia en los valores de PSE, donde el técnico sobreestima la carga a intensidades moderadas y altas.
Palabras-clave: Percepción subjetiva del esfuerzo; Formación; Deporte; Natación. .
Abstract
Objective : Objective: to compare the subjective perception of the effort planned by the coach with that perceived by the athletes in the youth category of a swimming team in the city of Maringá-Paraná.
Methods : The study sample consisted of 14 swimming athletes of both sexes. They had at least one year of experience and achieving a participation rate in national championships. The PSE was evaluated using the Borg scale from 0 to 10 points. The coach presented the PSE score before training and the athletes reported the PSE 30 minutes after the end of the training session.
Results: The mean age was 15.6 ± 0.64 years, the body mass was 64.74 ± 9.50 kg and the height was 173.5 ± 8.05 cm. Young athletes perceived different values of the coach, and after statistical analysis there was a significant difference in 14 sessions. It was also found that at moderate and high intensities, the coach had higher values than those reported by the athletes.
Conclusion: The results of the present study indicate that there was a divergence in the PSE values, where the technician overestimates the load at moderate and high intensities.
Keywords: Rating of Perceived Exertion; Training; Sport; Swimming..
Introdução
A natação é um esporte cujo grande adversário é o tempo¹, sendo assim a melhora das técnicas e a eliminação de técnicas erradas e/ou ineficientes durante competições e principalmente treinos, é de grande importância para melhora de tempo, vitorias e quebras de recordes. A natação competitiva chegou a um estágio no qual a vitória e quebra de recordes dependem de diferenças pequenas de segundos e centésimos de segundos, tornando o aperfeiçoamento da técnica aliado ao monitoramento das cargas de treinamento fatores fundamentais na busca por um melhor desempenho².
Com isso o treinamento tem um papel fundamental para essa melhora. Para Issurin³ o treinamento esportivo tem como principal objetivo aperfeiçoar o desempenho físico, técnico, tático e psicológico, para que os atletas atinjam o melhor nível de competitividade no momento desejado.
Existem diferentes formas de monitoramento das cargas de treinamento, e este monitoramento é de suma importância para se obter melhores resultados e evitar lesões ou problemas como o overtraining, e o técnico pode avaliar as cargas implementadas, a fim de verificar e corrigir a periodização, caso haja erros ou diferenças do planejado.4
Mesmo a natação sendo um esporte individual, as sessões de treinamentos muitas vezes são prescritas quase que da mesma maneira para todos os atletas, isso se deve pelo grande número de atletas e pela impossibilidade de o técnico prescrever e monitorar inúmeros treinos de cargas diferentes. As cargas de treinamento podem ser divididas em externa e interna. A carga externa refere-se a carga imposta pelo técnico, como volume, intensidade, duração da sessão, entre outros. Já a carga interna diz respeito a percepção individualizada da capacidade externa.5
Para Nakamura, Moreira e Aoki6, a maioria das modalidades as sessões e os ciclos de treinamento são montados baseados na intensidade e no volume. Na natação muitos programas são montados e prescritos a partir da carga externa. Porém é a carga interna imposta ao atleta que será responsável para o corpo se adaptar e melhorar com o treinamento, e não a carga externa4-7. Com isso o monitoramento da carga interna é algo que deve ser monitorado, pois cargas muito altas ou muito baixas podem não gerar o resultado esperado5.
Para a determinação de carga de treino existem inúmeros métodos, como o método da mensuração da concentração de lactato, ou do consumo de oxigênio (VO2), ou o método da frequência cardíaca (FC). Em vários esportes a frequência cardíaca é um grande preditor da carga de treino, porem na natação tal método apresenta muitas limitações, já que o método da FC exige que tenha uma fita para acompanhar os batimentos, sendo essa de difícil acesso para obtenção e também sendo essa um limitador dos movimentos8,9.
O método PSE parte do pressuposto que as respostas fisiológicas derivadas do treino são acompanhadas por respostas perceptuais proporcionais. Com isso o método da percepção subjetiva de esforço da sessão (PSE da sessão) proposto por Foster et al10, surge como um bom indicador de carga interna de treinamento e é de fácil utilização e de custo baixo5. A PSE é um método que consiste na pergunta “Como foi a sua sessão de treino?”, a resposta do atleta deve ser indicada 30 minutos após o termino da sessão, a resposta deve ser de acordo com a escala de Borg 0 a 10 pontos.
Resultados de estudos demonstram que a PSE tem validade em diversos esportes como a natação8, 9, 11, futebol12 e judô13. Em decorrência da escassez de estudos que avaliam as percepções da PSE do técnico e o atleta, esta pesquisa busca analisar essas condições. Nesse sentido pressupõe que provavelmente possa existir diferenças entre ambos. Esta pesquisa pode ajudar aos clubes e treinadores a melhorar o seus planejamento e monitoramento da carga de treinos.
Sendo assim, o presente estudo tem por objetivo comparar a PSE planejada pelo técnico com a auto-percebida por atletas da categoria juvenil de uma equipe de natação da cidade de Maringá- Paraná.
Materiais e método
Participaram do estudo 14 atletas de ambos os sexos 7 meninos e 7 meninas) com média de idade 15,6 ± 0,64 anos, massa corporal 64,74 ± 9,50 e estatura de 173,5 ± 8,05, e também um treinador da equipe de natação. Todos os atletas estavam federados pela Federação de Desportos Aquáticos do Paraná (FDAP), possuíam ao menos um ano de experiência de treinamentos e de competições, além de terem alcançado, ao mínimo, um índice para participação em competições nacionais de categoria.
A Associação de Pais e Atletas da Natação de Maringá (APAN-Maringá) disponibilizou os dados referente a pesquisa e autorizou a realização do estudo com seus atletas, técnico bem como com o uso de suas instalações. O estudo obedeceu aos preceitos da ética na pesquisa. Todos os participantes foram informados dos procedimentos da pesquisa e seus responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para menores de 18 anos.
Procedimentos
Os dados antropométricos dos atletas foram coletados durante uma semana antes do início da pesquisa. A coleta foi realizada por uma clínica especializada em avaliação nutricional esportiva. Utilizou-se como instrumento de coleta o aparelho de bioimpedância segmentar InBody 570®.
Já coleta foi realizada no período competitivo dos atletas. Ao todo foram acompanhadas 27 sessões de treino, ao longo de 5 semanas, sendo a primeira semana para familiarização tanto dos atletas quanto do técnico com a escala, e as outras 4 de coleta. Assim, 21 coletas foram consideradas para o estudo. Todas as coletas foram realizadas no local de treino habitual dos atletas e técnicos.
Cada sessão foi planejada e aplicada pelo treinador, sem qualquer interferência dos pesquisadores. O treinamento foi parcialmente padronizado a todos, sendo volume e intensidade indicados aos atletas, variando os estilos de execução em cada série, uma vez que cada atleta tem um estilo de melhor rendimento.
Previamente ao início de cada sessão, o treinador, respondia individualmente a escala PSE adaptada por Foster et al14 planejada para aquela sessão de treinamento. Ao final de cada sessão, cerca de 30 minutos após o término, a mesma escala era respondida pelos atletas de maneira individualizada também.
A escala utilizada foi a de Borg que apresenta a pontuação entre 0 e 10. A coleta realizada nas dependências da piscina de treinamento e demorou aproximadamente dois minutos para cada atleta.
Os índices de monotonia também foram calculados de acordo com o propôs por Foster15. A monotonia refere-se à variabilidade de cargas aplicadas aos atletas, ou seja, altos níveis de monotonia representam pouca variabilidade, que por sua vez podem contribuir para variações negativas, lesões e até o overtraining15-16. O cálculo da monotonia foi feito através da razão entre a média e desvio padrão da carga semanal total ao longo de uma semana, foi somado o score zero em dias que não houve treino.
Por fim, foi feita a análise descritiva, com apresentação dos dados de média e, desvio padrão. O teste de Shapiro Wilk foi utilizado para verificar a normalidade dos dados. Além disso, foi realizado o teste de Wilcoxon para verificar a diferença entre a PSE percebida pelos atletas e a PSE estabelecida pelo treinador para a sessão de treino. As análises foram realizadas no software SPSS (v. 25, Inc, Chicago, IL, USA). Foi adotada a diferença estatística como p < 0,05.
Resultados
A tabela 1 apresenta a média ± desvio padrão das PSE percebidas pelos atletas e a PSE planejada pelo treinador para cada sessão, também expõe o número de atletas que responderam a escala em cada sessão de treinamento, ela também aponta o cálculo da carga interna de treinamento, que é o produto da PSE pela duração de cada sessão.
A tabela 2 expõe as médias, desvio padrão e monotonia da carga interna das quatro semanas analisadas neste estudo, a semana 4 não foi analisada, pois nessa semana foram coletadas apenas 3 sessões.
A figura 1 demonstra os valores descritivos (media e desvio padrão) da PSE planejada pelo técnico com a indicada pelos atletas de ambos os sexos. É possível verificar que nas sessões 2,6,8,9,10,11,12,13,15,16,18,19,20,21 a PSE indicada pelo técnico foi superior a relatada pelos atletas.
Tabela 1. Diferenças entre a PSE percebida pelos atletas e a planejada pelo treinador em ambos os sexos, e também cálculo da carga interna.
| N | PSE Atleta | PSE Treinador | CI (UA) | |
|---|---|---|---|---|
| Sessão 1 | 11 | 7,4±0,78 | 7,5 | 814 |
| Sessão 2 | 9 | 4,17±1,23 | 5 | 500,4 |
| Sessão 3 | 11 | 7,79±0,7 | 8 | 856,9 |
| Sessão 4 | 9 | 6,48±0,69 | 7 | 732,2 |
| Sessão 5 | 8 | 7,62±0,74 | 8 | 762 |
| Sessão 6 | 14 | 6,85±1,14 | 8,2 | 822 |
| Sessão 7 | 11 | 7,99±1,33 | 8,5 | 854,9 |
| Sessão 8 | 11 | 4,56±0,77 | 5,8 | 510,7 |
| Sessão 9 | 11 | 8,2±0,84 | 8,3 | 902 |
| Sessão 10 | 8 | 4,47±0,81 | 6 | 536,4 |
| Sessão 11 | 9 | 7,22±0,97 | 8,6 | 736,4 |
| Sessão 12 | 12 | 6,5±0,94 | 8,3 | 728 |
| Sessão 13 | 9 | 6,98±1,04 | 8,6 | 767,8 |
| Sessão 14 | 10 | 4,44±1,83 | 5,4 | 440 |
| Sessão 15 | 11 | 8,18±1,01 | 8,9 | 948,8 |
| Sessão 16 | 7 | 3,91±1,34 | 6 | 445,7 |
| Sessão 17 | 7 | 5,37±0,54 | 5,5 | 655,1 |
| Sessão 18 | 12 | 5,84±1,08 | 7,2 | 643,8 |
| Sessão 19 | 11 | 4,47±1,58 | 5,5 | 528 |
| Sessão 20 | 8 | 2,57±1,21 | 4,5 | 275 |
| Sessão 21 | 6 | 2,06±0,049 | 2 | 184 |
Legenda: PSE: Percepção Subjetiva de Esforço; CI: Carga Interna.
Tabela 2 médias da carga interna, desvio padrão e monotonia dos atletas.
| Semana | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|
| Média CI | 523,6 | 623,2 | 569,3 |
| DP | 352,2 | 314,1 | 308,7 |
| Monotonia | 1,48 | 1,98 | 1,84 |
Legenda: CI: Carga interna; DP: Desvio Padrão; 1, 2, 3: Semanas da pesquisa.
A figura 2 apresenta a PSE percebida por atletas do sexo masculino com a planejada pelo técnico, é possível verificar que há diferença estatisticamente significativa nas sessões: 5,7,9,10,11,15,17,19,20. Sendo que o técnico superestimou a carga em todos esses treinos.
A figura 3 apresenta a PSE percebida por atletas do sexo feminino com a planejada pelo técnico, é possível verificar que há diferença estatisticamente significativa nas sessões: 10,11,12,19,20. Sendo que o técnico superestimou a carga em todos esses treinos. Nota-se que as sessões de treino com diferença significativa são menores quando verificada com a figura 2 (sexo masculino).
A figura 4 aponta as diferenças entre a PSE indicada pelos atletas com a do técnico discriminada de acordo com cada intensidade, sendo que nas intensidades moderada e alta os atletas subestimaram a carga, ou seja, os atletas perceberam uma carga menor do que a planejada, e na intensidade leve os atletas superestimaram a carga.
Discussão
O principal achado do estudo foi que existe diferença entre a PSE planejada pelo técnico com a indicada pelos atletas, sendo essa PSE superestimada pelo técnico, ou seja, a PSE aplicada está sendo percebida de maneira menor do que a que ele planeja. Outro achado em nosso trabalho foi que atletas do sexo feminino apresentaram uma percepção inferior dos treinos do que atletas do sexo masculino.
Em um estudo validativo da escala PSE da sessão com atletas adultos de natação, o técnico indicou escores das sessões de intensidade moderada e alta maiores que os atletas e na intensidade baixa o escore apontado pelos atletas foi maior, sendo tais resultados também verificados exatamente em nosso estudo8. Foster e colaboradores em seu trabalho com corredores aponta que em baixas intensidades o técnico subestima a intensidade e em intensidade alta ocorre o inverso, diferindo do presente trabalho apenas que em seu estudo encontrou concordância na intensidade moderada, enquanto em nosso trabalho o técnico também superestimou os treinos para essa intensidade10.
Barroso et al17 em seu estudo faz uma comparação entre técnico e atletas de natação de acordo com a idade dos atletas. Neste estudo os autores percebem que atletas mais jovens e/ou mais inexperientes na modalidade reportam percepções diferentes das indicadas pelo treinador.
Um estudo feito no atletismo com amostra de 28 atletas percebeu-se que nas intensidades leve e moderada o valor é menor quando comparada com o técnico e na intensidade alta o escore e maior quando comparado ao técnico diferindo com o encontrado em nosso trabalho18.
Andrade11 em sua pesquisa verificou concordância nas intensidades leve e alta e verificou discordância técnico/atletas na intensidade moderada em jovens nadadores. Resultado diferente do presente estudo que obteve discordância de técnico/atletas em várias sessões de treinos11.
Não foi encontrado na literatura pesquisada estudo que corrobore ou explique o porquê de a percepção em atletas do sexo feminino ser menor do que de atletas do sexo feminino. Sendo isso algo que pode ser investigado em estudos futuros.
Como limitação ao estudo, pode-se apontar uma não investigação dos motivos que levaram o técnico a indicar a PSE planejada para aquele treino. Pode-se considerar uma limitação também um não conhecimento dos atletas com a escala, mesmo fazendo a familiarização com a escala, uma assimilação da escala pode não ter acontecido de forma integral. Outra limitação é o número de consultas realizadas após o termino de cada sessão, o qual foi realizada uma única consulta da PSE.
Os resultados do presente estudo demonstram que há diferença da PSE planejada pelo treinador com a reportada pelos atletas, sendo que nas intensidades moderada e alta o técnico superestima a intensidade. Também constatamos uma monotonia de treinos em três das quatro semanas do estudo. Sendo assim deve se haver um acompanhamento diário da percepção dos atletas e também se possível uma comparação com ao que o treinador planeja.
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Conflito de interesses: Não há conflito de interesses entre os autores do artigo.
Agradecimento: Agradecemos a APAN-Maringá pela concessão dos dados e permissão da pesquisa.